É inegável que os anos 80 foram marcados como um dos períodos mais fundamentais e épicos da cultura POP. As músicas, filmes, livros, roupas, cores neon, os penteados extravagantes e afins, trazem uma originalidade ímpar. E, mais uma vez a Netflix apodera-se com maestria de toda a essência da época, e presenteia o público a melhor temporada de Stranger Things.

É verdade que o Megazord dos serviços de streaming deixou o público a mercê no ano de 2018, com pouquíssimos detalhes e notícias sobre o que viria por aí. No entanto, no momento em que o lançamento da terceira temporada da série ocorreu, o ritmo foi seguido de forma tão pontual que a sensação foi como se nunca tivesse havido tamanha espera. Então, Hawkins está de volta, sendo palco de uma sucessão de eventos macabros e alucinantes, além de novas ameaças e personagens. Obviamente, os irmãos Duffer sabem exatamente onde querem chegar, e o coração dos fãs que aguente! Stranger Things 3 é, de longe, a mais insana, sangrenta, intrincada e obscura de todas as temporadas.

Algo que os irmãos Duffer prezam, é o realismo e autenticidade das cenas, evitando, tanto quanto podem, a utilização de computação gráfica. Mas isso todos já sabem, não é mesmo? Todavia, a dupla parece se superar desta vez, trazendo um cuidado redobrado com cada detalhe, fazendo até uma cena de vômito ser excessivamente bem construída. E quanto a união do suspense, sci-fi, thriller, pitadas de humor e sinestesia do terror? Um equilíbrio invejável!

Os novos episódios se assemelham a uma jukebox visual, apresentando uma trilha sonora nitidamente escolhida a dedo, como “Wake Me Up Before You Go-Go” da banda Wham!, e “Material Girl” da Madonna, abarrotadas de simbolismo para proporcionar ao espectador a sensação necessária para cada instante da produção, ajudando a desenvolver o enredo de forma bastante envolvente.

Por falar em enredo, aqui há uma passagem temporal de um ano após o sufoco que os personagens passaram com o Devorador de Mentes. Agora, Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), Eleven (Millie Bobby Brown), Will Byers (Noah Schnapp) e Max (Sadie Sink), oficialmente deixam a infância de lado e mergulham na adolescência – ainda que haja alguma resistência aqui ou ali para encarar o “monstro do crescimento”. A turma está curtindo um caloroso e divertido verão, lidando somente com as peripécias da puberdade e os atritos ligados aos relacionamentos. Ao mesmo tempo, nas sombras, uma parte do Devorador de Mentes desperta e inicia um plano para vingar-se de Eleven e permanecer em Hawkins, abduzindo pessoas. Vale pontuar essa construção em dias partes porque é exatamente como a narrativa se desenvolve, diferentemente dos anos anteriores, existe uma estabilidade e harmonia entre o foco nos personagens e os perigos provenientes do Upside Down.

Sem deixar qualquer lacuna no roteiro, a história consegue desenvolver com perfeição três arcos distintos e ainda ligá-los de forma extremamente precisa. Além das emoções garantidas, o 3º ano conta com cliffhangers interessantíssimos e uma cena pós-créditos de arrepiar.

Uma dica: você que ainda não se jogou na maratona de Stranger Things 3, prepare uma caixa de lencinhos. Com um desfecho para lá de bombástico a série se reafirma como um dos melhores programas contemporâneos. E para deixar o público em posição fetal, uma releitura de “Heroes”, de David Bowie, encerra mais uma temporada sensacional em Hawkins.